Boa Noite, Mamãe (Goodnight Mommy) (Ich seh ich seh)

2/27/2016 01:45:00 AM |

Quem me conhece sabe que minha preferência de gêneros é o terror, mas confesso que prefiro aqueles que assustam ou causam algum tipo de terror psicológico mais trabalhado, do que filmes artísticos que tentam trabalhar situações (até que psicológicas, mas que forçam a amizade para com o público). E infelizmente, se tiver alguma câmera no cinema pegando o público, com toda certeza o pessoal irá rir muito das minhas expressões ao assistir "Boa Noite, Mamãe", pois não me conformava com o óbvio logo de cara que é enxergado pelo público, e a trama tentando durante toda a duração nos convencer que não era aquilo, além de falhar demais no conceito de causar qualquer choque no público, no máximo algum asco pelas cenas bizarras, e dessa maneira a cada nova cena, mais inconformado com a trama ficava, para que ao final, fosse mostrado exatamente o que todo mundo já sabia.

O filme nos mostra que uma família vive em uma residência isolada em meio a árvores e plantações de milho. Após dias afastada por conta de cirurgias plásticas, a mãe volta para casa e não é reconhecida pelos filhos gêmeos. As crianças, de nove anos, duvidam que a mulher de rosto coberto seja realmente sua mãe e a partir de então nada será como antes.

Em suma, a ideia do filme não é ser um longa de terror, mas por trabalhar a ideia de aterrorizar alguém e causar suspense em determinados momentos, é claro que a distribuidora não iria perder a chance de vender o filme como terror. Há portanto duas formas em que o filme pode ser analisado, como um drama trágico, o qual fica claro logo de cara, mas que só é revelado realmente para quem não pegou a ideia no final, e certamente foi vendido para o Oscar dessa forma, e até agradaria vê-lo assim, mas como está sendo vendido como um thriller misterioso (inclusive na página do IMDB dele), irei analisá-lo como fui ao cinema ver, e se em algum momento os diretores e roteiristas Severin Fiala e Veronika Franz pensaram que por mostrar algumas cenas de tortura, alguns sonhos estranhos com bichos estranhos, e garotinhos com feições psicologicamente desestabilizadas causam medo em alguém, realmente eles que estão com problemas, pois a trama em si teria tudo para causar espanto se não fosse simples demais, mas tudo acontece de forma tão fácil que não causa espanto em nada, pelo contrário só causa asco e desconforto. Mas certamente haverá aqueles que vão se apaixonar pela história como aconteceu com "Corrente do Mal", então tem gosto para tudo.

Sobre as atuações, podemos dizer que Lukas Schwarz e Elias Schwarz trabalharam muito bem, deixando suas pontas bem desatadas para tentar não ficar tão evidente o "mistério" que o filme vende, e claro que assim como ouvi outro espectador falar na sala, realmente treinaram muito o garoto para virar um psicopata desse estilo, pois as cenas de tortura são bem interessantes de ver. Susanne Wuest também trabalhou bem, fazendo diversos estilos de expressão, e na maioria deles de forma correta demonstrou desespero e desgaste frente as conversas com os garotos, mas também errou muito nos momentos de nervosismo pois soou bem falsa. Dos demais "atores" prefiro nem falar, pois o sacristão beira o amadorismo completo, e o pessoal da cruz-vermelha adentrando a casa e andando como se pudesse passear é algo que nem em sonho alguém faria.

No conceito visual, a escolha da locação foi algo bem interessante, pois deu o contexto de longas de terror (casas abandonadas no meio de plantações, paisagens misteriosas, e tudo mais), e esse acerto da equipe artística foi complementado pelos bons elementos cênicos voltados também para o estilo (animais estranhos, túmulos com caveiras), ou seja, teria tudo para ficar um longa bem interessante do gênero, mas infelizmente a história não ajudou muito. A fotografia também trabalhou bastante o gênero, usando bem pouca iluminação, com diversas cenas completamente escuras, ou apenas iluminadas por lanternas e abajures, e isso dá um certo clima sombrio para a trama, ou seja, tecnicamente, o filme estava perfeitamente ambientado para a situação.

Enfim, volto a frisar, que há duas formas de ver o longa, então quem quiser assistir ele como um drama poderá até gostar do que verá (não fui com esse clima e nem pretendo rever o filme, para ver se gosto assistindo assim), mas quem for ver esperando se assustar, ou ao menos ficar intrigado com o estilo, certamente sairá da sessão bem desapontado com tudo. Portanto, já vi a opinião de um amigo que assistiu vendo como drama minimalista e gostou, sendo recomendado assistir assim, mas quem não gostar do estilo e estiver querendo ver um terror bem feito, fuja que não será esse filme que vai lhe agradar. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda tenho muitos longas para conferir, então abraços e até breve.

3 comentários:

Kaliel Nunes Abadessa disse...

Onde fica o botão de curtir aqui? Critica maravilhosa, concordo em tudo.

Fernando Coelho disse...

Olá Kaliel!!! Que bom que gostou do texto! Os botões de Curtir e compartilhar estão logo abaixo do nome do filme!! Nem eu lembrava onde ficava no site rsss! Abraços!

Kaliel Nunes Abadessa disse...

Não sei mexer nisso (kkkkkkkk), mas acho que foi. Parabéns de novo

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