O Agente da U.N.C.L.E. (The Man From U.N.C.L.E.)

9/05/2015 10:48:00 PM |

Se existe uma coisa que é interessante de olhar em alguns filmes, é a forma de direção que alguns diretores conseguem imprimir nas telas, ficando cada vez mais fácil de observar como eles gostam de trabalhar com seus filmes, e um que possui uma mão bem tradicional é Guy Ritchie que assim como fez bem nos dois filmes "Sherlock Holmes", aqui no seu novo filme "O Agente da U.N.C.L.E.", temos cenas bem dinâmicas, boas interpretações dos textos com piadas sobrando, as tradicionais janelas nas cenas mais ágeis e claro que uma trilha sonora de altíssimo nível. Porém como é um filme baseado em uma série de sucesso nos anos 60, ficou aparentando a falta de um desenvolvimento mais acelerado das situações para que coubesse tudo em um único filme, ou uma apresentação mais formatada para que apenas inserisse um gancho bem colocado para uma continuação, e de certa maneira nenhuma das duas coisas acabou acontecendo, e embora seja um filmaço gostoso de assistir, ainda saímos da sessão querendo um algo a mais que não teve.

O filme nos situa no início da década de 1960, no auge da Guerra Fria, com uma história centrada no agente da CIA, Solo, e no agente da KGB, Kuryakin. Forçados a deixarem de lado as antigas diferenças, os dois se unem em uma missão para parar uma misteriosa organização criminosa internacional, que está empenhada em desestabilizar o poder com a proliferação de armas nucleares e tecnologia militar. A única pista da dupla na investigação é a filha de um cientista alemão desaparecido, que pode ser a chave para eles se infiltrarem na organização criminosa. Agora os dois precisam correr contra o tempo para encontrar o cientista e evitar uma catástrofe mundial.

Como a história é bem trabalhada num roteiro com nuances dinâmicas e ágeis, o diretor pode trabalhar as interpretações dos atores com menos simbologia e mais ritmo, e isso é algo que fica bem gostoso de ver em filmes desse estilo, claro que assim como nos "Sherlock" muitos reclamaram do excesso cômico que em alguns momentos incomodam, aqui isso acaba ocorrendo bastante também, mas não chega a atrapalhar em nada o andamento explicativo da trama. Claro que o diretor mudou bastante o seu estilo inicial que tanto o marcou pela violência que imprimia em seus longas, mas de certa maneira isso acabou atraindo um público maior para seus filmes, pois ele acaba não forçando exageros de cenas e nem suavizando demais na pontuação da interpretação dos atores, fazendo assim um filme light, mas cheio de cortes rápidos e ângulos expressivos para que a dinâmica funcionasse envolvente e interessante de ver na telona. Além disso, temos de pontuar também que a sua adaptação do texto da série dos anos 60 ficou bem desenvolvida para que não ficasse algo tão irreal, e nem ficasse sério demais, e isso mostrou a preocupação que o diretor teve para que a amarração dos fatos agradasse a todos e envolvesse na proposta mais ágil. Como disse no início, o único erro foi não definir se seria somente um filme, ou já estavam fazendo pensando em uma sequência, pois acabou ficando no meio do caminho, aparentando um fraco fechamento ou um detalhe que pudesse deixar no ar algo mais promissor.

No quesito interpretativo, mesmo com as diversas mudanças de elenco que o filme teve durante o processo de pré-produção, consigo falar que os que acabaram ficando não desapontaram com o que fizeram. Claro que Henry Cavill está com um foco bem maior em seu Superman, mas não decepcionou aqui ao trabalhar seu Solo de uma maneira mais clássica e charmosa de espião, e com uma boa dinâmica nas cenas mais ágeis, podemos dizer que ele tem treinado bastante para não decepcionar como herói e isso vai facilitar bastante nos longas que exijam que ele lute. Armie Hammer virou literalmente aqueles monstros russos que podia desabar um prédio em cima de sua cabeça que sairia debaixo tomando uma vodca e brigaria com quem destruiu o prédio, de modo que seu Ilyia ficou bem bacana de acompanhar na trama, e o ator fez excelentes trejeitos para que seu personagem chamasse bastante atenção. É engraçado pensar como uma mulher pode ser a vilã de um filme de espionagem/guerra/ação, ainda mais com a beleza de Elizabeth Debick, mas como sua Victoria só é do estilo de quero muito dinheiro além do que já tenho e posso pagar para que os outros façam por mim, até que saiu-se bem, mas poderia ter sido mais cruel ou até mesmo terem colocado outra pessoa como um vilão mais imponente. Embora Alicia Vikander tenha feito de sua Gaby uma mulher forte e interessante, seu papel ficou meio que de segundas intenções, e como realmente só teve uma valia mais impactante no último ato, ficamos meio revoltados com a reviravolta estranha que acaba sofrendo. Sylvester Groth como Tio Rudy até que caiu bem na sua cena principal, e sem dúvida alguma foi um ponto bem interessante da trama, mas fez expressões tão estranhas em diversos outros momentos que acaba até incomodando. Os demais foram literalmente enfeites de cena, não importando para quase nada da forma que a trama acabou se desenvolvendo, mas se formos analisar a fundo, teriam mais uns 3 personagens que mereciam mais cenas interessantes, no caso, os chefes de cada um dos protagonistas.

De certa forma, a equipe artística trabalhou muito bem na concepção de época, principalmente no figurino dos personagens, pois ao caracterizar cada um de forma elegante e nos moldes que as pessoas iam para os eventos, foi de uma grande beleza visual, e além disso, souberam recriar alguns cenários clássicos como a divisão de Berlim pelo muro e todos os perigos que era de um lado, pela rivalidade interessante, ou seja, um bom trabalho de pesquisa, mas que se não parar para analisar cada ato separado, muita coisa acaba passando batido, principalmente pelas cenas com mais elementos cênicos estarem presentes nas janelas que o diretor criou para ter 3, 4 ou até 5 cenas ocorrendo ao mesmo tempo na tela do cinema, e isso ao menos na minha opinião, não é algo agradável de mostrar as cenas num filme. O conceito fotográfico do filme também ficou bem interessante de ver, principalmente nas cenas iniciais noturnas, aonde o diretor mostrou o quão bom ele é com sombras, trabalhando a contraluz com classe e dando envolvimento para as cenas ficarem mais densas, porém quando vai para o segundo ato, mais ágil, ele optou em colocar os tons mais vivos para contrastar com a cenografia, e isso em longas de espionagem até agradam, mas ficam de certa maneira, fraco demais.

As escolhas musicais para acompanhar o longa foram de altíssimo nível, pois a todo momento entrava uma canção melhor que a outra para que o filme ganhasse ritmo e ainda tivesse uma classe elegante de exibição, e isso é algo que o diretor preza desde seu início, e cada vez vem melhorando mais no que vem pedindo para os seus compositores de trilhas.

Enfim, um bom filme que certamente vai agradar quem gosta do estilo espionagem com bastante ação, mas também que fará muitos reclamarem pela falta de um desenvolvimento maior de cada ato para simbolizar mais e impactar mais, e como disse, isso talvez acabasse tornando ou o filme mais longo ou a trama toda em dois ou mais filmes, e como já houve diversas discussões sobre o orçamento do filme, o que acabou mudando direção, isso certamente foi um problema bem pesado para o longa. Portanto é uma boa opção de recomendação para curtir nos cinemas, mas quem não for muito fã do gênero, talvez reclame mais do que o tradicional. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam muitos filmes para conferir, então volto bem em breve com mais alguma postagem no site, fiquem com meus abraços por enquanto e até breve.


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