Magic Mike XXL

7/29/2015 02:32:00 AM |

Se você ler a crítica que fiz do primeiro filme no dia 06/11/2012 vai ver o quanto eu "gostei" do primeiro filme, afinal era um longa mais dramático, cheio de nuances confusas e o estilo tradicional de Soderbergh que misturado a querer somente o suspiro das mulheres conseguiu chegar a lugar nenhum. Pois bem, passados quase três anos, Soderbergh resolveu que não iria dirigir a continuação, e seria somente diretor de fotografia com seu pseudônimo Peter Andrews, e entregou o cargo para seu amigo e assistente em diversas outras produções Gregory Jacobs, e o que ele fez com a história de Reid Carolin, que já havia escrito o primeiro filme também? Praticamente uma comédia com muito mais vida, história, diversão, suspiro para as mulheres e principalmente, praticamente abdicou a chatice das drogas do primeiro filme, o que foi um dos pontos mais positivos, e dessa maneira "Magic Mike XXL" entrega um longa que passa voando e agrada em muitos pontos como filme, além claro, de deixar a mulherada louca.

O filme reencontra os Reis de Tampa prontos para jogar a toalha. A história tem início três anos após Mike ter deixado a vida de stripper para trás, porém, eles querem que a despedida aconteça de um jeito bem peculiar: incendiando a casa com uma última performance arrasadora em Myrtle Beach, com a presença do lendário Magic Mike. No caminho para o último show, uma parada estratégica em Jacksonville e Savannah para rever velhos conhecidos e fazer novas amizades, Mike e os garotos aprendem novos movimentos e sacodem o passado de forma surpreendente.

Uma coisa a falar sobre o filme é certa, se o primeiro custou 7 milhões e arrecadou 167 milhões durante todo o tempo que ficou em cartaz, esse que gastaram 14 e apenas estreando em poucos países já ganhou 115, podem esperar pelo terceiro em breve. E dito esses números, podemos dizer que o roteirista Reid Carolin sofreu e muito para remontar sua história, já que com Matthew McConaughey e Alex Pettyfer de fora, já que um ficou caro e o outro teve desavenças com outros atores, então teve que trabalhar uma história inicial para remover eles da trupe, e olha que a maneira que foi escolhida foi bem satisfatória com a ideologia do personagem. E feito isso, o trabalho de composição da história ficou menos dramático e cansativo, afinal sabemos que esse mundo não é as mil maravilhas, mas quando a fantasia tem a proposta de divertir, como é o caso que muitas mulheres vão pagar para ver esse estilo de filme, para que então filosofar sobre drogas, sobre a vida amorosa e tudo mais, se podemos fazer um longa mais caricato sobre o que os pagantes do filme querem ver? E com essa ideologia, o longa consegue agradar e ainda trabalhar alguns conceitos morais sobre o que as mulheres querem, sobre o que vale na vida se é fantasiar algo que você já conhece ou fazer o que gosta de uma maneira nova, e até pontuar certas ideologias sobre reconquistas de amizades antigas, o que acaba tornando o filme para quem for ver sem o intuito de apenas ver homens rebolando, um resultado até que bem interessante, ou seja, se Jacobs conseguiu conquistar o público da TV e ganhar um Emmy, agora certamente escolheu um filão interessante para trabalhar na direção de longas, pois acertou a mão em cheio no estilo. Claro que o filme possui defeitos técnicos, principalmente na montagem, aonde Soderbergh botou novamente sua mão, aonde alguns pontos vão prontos a acontecer e de repente com um corte brusco já estamos em outra cena sem desenvolver a anterior, para exemplificar ocorre na última cena da praia, e na cena da casa das senhoras esse estilo feio de corte, mas como bem sabemos precisaram de tempo para as danças, então poderiam ter sido mais subjetivos e menos forçados nessas cenas.

Sobre a atuação, Channing Tatum já mostrou em diversos outros filmes que tem melhorado bastante nas suas expressões e claro que mesmo num filme aonde o seu Mike só necessitaria dançar para chamar atenção, ele conseguiu imprimir de certa forma alguns trejeitos e já ficamos esperando para o que pode fazer em seu próximo papel, agora de super-herói. Assim como Tatum, Stephen Boss mostrou que dança muito e basicamente, como o emprego de seu Malik era somente isso, acabou fazendo bem, claro que poderia ter um pouco de diálogo para mostrar se sabe atuar, mas como disse no parágrafo anterior, essa não era a proposta do longa. Novamente coube a Joe Manganiello a maior parte das piadas sobre tamanho do documento de seu Ritchie, e ao desenvolver essa postura, ele teve acertadamente um papel bem pontual na trama, funcionando bem mais do que no primeiro filme que serviu apenas de figura, ainda não é algo que possamos falar que seja metade das boas interpretações que já teve na carreira, mas ao menos não decepcionou. Matt Bomer conseguiu surpreender de apenas um rostinho bonito para alguém que canta, e bem, e dessa maneira seu Ken já pode ser chamado para algum musical que promete não desapontar nem as moças que forem ver ele pela beleza e muito menos no gogó para dar interpretação às canções. Assim como Bomer, Donald Glover também encaixou bom tom na sua cantoria, e de certa forma mostrou um jeito diferente da tradicional "cantada" com seu Andre, o que agradou certamente. O lutador e ator Kevin Nash está bem velho, mas ainda assim, mostrou boa comicidade para o seu Tarzan e além de estar sempre pronto para os textos mais bem encaixados, ainda teve assim como no primeiro filme, a cena mais engraçada e estilosa de strip. Sobre as mulheres do filme, não sei se ficaram com medo de trabalhar mais o conceito romantizado e envolver o relacionamento da personagem Zoe de Amber Heard Depp(nem sabia que tinha casado com o Johnny!!) com Mike, e embora tivesse seu momento de consulta temperamental na cozinha e depois ser utilizada na dança, não foram muito longe e nem deram muito texto para que ela desenvolvesse sua expressividade característica, o que de certo modo também pode ser uma falha do filme, mas como mulheres não eram o ponto forte da trama, tanto ela quanto Jada Pinkett Smith com sua Rome acabaram escondidas, mas Jada ainda saiu-se melhor, pois teve uma participação mais envolvente tanto em seu castelo quanto como MC da apresentação dos rapazes, e dessa maneira empolgou ao menos. Os demais até possuem de certa forma algumas boas cenas como Adam Rodriguez com seu Tito, mas ficaram bem para segundo plano, então vamos parar por aqui.

Sobre o visual, escolheram até que boas locações para desenvolver o filme e isso é bacana de ver numa produção, pois diferente do que aconteceu no primeiro filme que tudo parecia meio psicodélico, aqui tudo foi pensado com um propósito determinante, como o Castelo de Rome todo pronto como um clube para mulheres realmente cheio de efeitos, o food-truck interessante com uma proposta diferenciada, passando pela casa das senhoras aonde os vinhos serviram para o tom da conversa, e até mesmo o hotel da convenção teve seus elementos bem usados para proporcionar um show realmente como deveria, e assim mesmo que a ideia inicial era de um road-movie que acabou sendo abandonado no meio do caminho para ir para outros rumos, souberam determinar cada ato de uma maneira pronta e bem feita. A fotografia também abusou menos de efeitos piscantes e luzes, para algo mais tradicional e centrado na proposta que queriam, mas ainda com muito dinamismo nos momentos de dança, o filme conseguiu ter movimento e não cansar, ou seja, mesmo não sendo sua a direção, certamente Soderbergh foi autorizado a dar contexto próprio no estilo de filmagem, para que nesse quesito não houvesse erro algum.

Com uma trilha sonora de tirar o chapéu, o filme agradou demais, e o melhor é que ela não funcionou apenas para dar ritmo à trama, mas em diversos momentos foi usada como composição de cena, então cada ato foi encaixado com uma canção, ou mix de canções, próprias para divertir e simbolizar o que a cena queria passar, destaque nesse sentido de simbolização para a cena que usaram Backstreet Boys e para o momento em que Matt Bomer canta "Heaven". E antes que me peçam, segue o link para ouvirem as excelentes escolhas musicais que foram inseridas.

Enfim, muitos vão falar que fiquei maluco com a nota, mas como sempre digo, se o longa cumpre com a proposta que veio a ser feito, ele já andou metade do caminho, se possui uma história bem colocada, caminhou mais alguns passos, e se o restante se encaixa porque não dar então uma nota boa para o filme. Claro que também necessito pontuar os defeitos e assim sendo também não posso dar uma nota excelente para o longa, mas confesso que me surpreendi com o que vi, e de certa maneira até recomendo para quem for acompanhar alguma mulher mais assanhada que só quer ver os corpos rebolantes dos atores, que certamente vai conseguir se divertir com a história passada também. Claro que não recomendo para os homens que forem assistir, que tente fazer comparações e inventem de performar depois para suas digníssimas companheiras, pois o vexame pode ser grande, portanto aqueles que forem acompanhar elas, apenas vejam, escutem depois elas todas assanhadas e façam que não viram nada demais e está tudo certo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje novamente agradecendo a parceria com o pessoal da Difusora FM 91,3Mhz de Ribeirão Preto por poder conferir o longa na pré-estreia exclusiva que lotou e agradou a todos que foram convidados, e volto na quinta com a outra estreia da semana, então abraços e até breve.


2 comentários:

Camila Vázquez disse...

Concordo com você que Tatum cada vez mais melhorado e aperfeiçoado sua obra. Foi uma estréia mais esperada para mim desde que eu sabia que haveria uma segunda parte. Parece-me bem neste filme, o primeiro é bom, mas novamente ver os atores juntos foi muito emocionante. O filme foi divertido e todas as mulheres tinham razões para nos encantar. Mas eu não encontrei apenas um filme olhando caras, mas também pode desfrutar de um momento agradável. O filme Magic Mike XXL foi muito engraçado e original.

Fernando Coelho disse...

Olá Camila, nesse achei ter até mais história do que o primeiro, pois não apelaram tanto, mas é um jeito de analisar também para quem esperou um outro filme. Quanto ao estilo, é realmente um filme para mulheres! Abraços!

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