Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada é Impossível

6/06/2015 02:33:00 AM |

Sei que não é o melhor filme da Disney, sei também que possui muita propaganda da ideologia de Walt Disney e seus parques, sei que o longa é irreal demais, mas para. O que esse Coelho vem falando há tempos para quem lê sempre minhas opiniões sobre os filmes? Que um longa mais do que uma proposta deve entreter ou fazer com que o espectador reflita sobre algo! E a energia e os brilhos nos olhos que "Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada é Impossível" nos permite acreditar é algo que vai muito além do esperado! Temos um filme onde que até sabemos da possibilidade nula de um dia vir a existir algo do estilo, mas o filme cria esperança, faz com que o público sonhe com um mundo melhor, que possa sim fazer diferente. E mais do que isso, numa visão completamente imaginária, o filme acabou caindo na sua própria história, aonde a humanidade só gosta de criticar as coisas sem querer ajudar, e dessa forma os críticos detonaram tanto o longa que sua bilheteria tem sido um fracasso, mas este que vos digita, saiu tão contente com o que viu no cinema, que posso dizer que acredito uma reversão disso e entro pro time de sonhadores que assim como a protagonista abriu um sorriso maior que a boca a cada cena deslumbrante que nos era entregue na tela gigante da sala Imax, uma pena só não ter sido em 3D, pois muitas cenas funcionariam com a tecnologia.

O longa nos mostra que Casey Newton é uma adolescente com enorme curiosidade pela ciência. Um dia, ela encontra um pequeno broche que permite que se transporte automaticamente para uma realidade paralela chamada Tomorrowland, repleta de invenções futuristas visando o bem da humanidade. Ela logo busca um meio de chegar ao lugar e, no caminho, conta com a ajuda da misteriosa Athena e de Frank Walker, que esteve em Tomorrowland quando garoto mas hoje leva uma vida amargurada.

O roteiro escrito por Brad Bird, Damon Lindelof e Jeff Jensen pode ser considerado uma viagem total, mas é tão bem pontuado pelas ideias originais de Walt Disney que o filme cria uma percepção tão interessante e agradável que acabamos entrando na mesma viagem juntos, e incrivelmente como boa parte das ideias foram achadas através de pesquisas dos autores nos materiais guardados no escritório de Disney, isso nos mostra o quão louco já era esse senhor ao pensar num parque aonde tivesse toda essa ideologia de felicidade, de criar um mundo melhor e tudo mais que o filme tenta passar. E com isso o texto acabou tentando trabalhar um lado bom do ser humano, que somente se tivermos esse lado e desenvolvermos ele para o melhor, podemos salvar o planeta, e ainda assim alguns estão atacando a história como algo medíocre, o que com certeza não dá para entender, ou realmente o povo está trabalhando somente o seu lado pior e não gostando de mais nada que é bonito. E dessa forma, ao colocarem Brad Bird à frente do projeto, o diretor mostrou que sempre fez animações malucas, e o público aceitou gostando do que via, porém agora com seu segundo live-action ele incorporou isso de uma maneira interessante para mostrar que gosta de ação, aventura e fantasia para retratar suas loucuras na vida real também, fazendo de seu filme uma realidade paralela que é possível de acreditar se entrarmos na mesma viagem que ele tenta passar, e isso junto dos atores foi completamente incorporado e que nos transmitiu uma segurança tanto no estilo de condução da câmera, sem planos irreverentes, mas ainda assim bem diversificados, e no estilo de trabalhar com o elenco para que eles entrassem na ideologia e compartilhassem a felicidade de tudo o que estavam sentindo junto dos espectadores.

É interessante ao falar do elenco dar parabéns para a equipe que cuidou da seleção das crianças, pois todos estão incríveis, a começar pelo jovem Frank que é interpretado por Thomas Robinson, e já havia falado há 4 anos atrás para ficarmos de olho no garoto em "Coincidências do Amor", e nem parece que ele cresceu tanto, mas agora com mais dinâmica e expressividade, o jovenzinho mandou muito bem nos trejeitos e chamou bastante atenção na primeira parte do filme. Raffey Cassidy também nos envolveu e emocionou com sua Athena, trabalhando com olhares tão fortes que a jovem pareceu ter uns 50 anos de atuação e interpretando seu texto forte em diversas cenas, a garotinha colocou muito ator velho na mochila e levou para passear com sua perfeição, é outra que temos de ficar de olho com o que entregará mais para frente. Um dos velhos que foram completamente levados pelo carisma da garotinha é George Clooney, que não podemos falar que fez uma má protagonização, mas não se mostrou empolgado com tudo o que o longa desejava, claro que já foi um dos que assumidamente disse não gostar de gravar em exagero com fundos falsos, e por isso deve ter hesitado em vivenciar mais o seu personagem, claro que conseguiu passar a amargura que o personagem deveria ter devido a tudo o que ocorreu com ele, mas poderia ter dado um gás a mais no restante para que o seu Frank adulto fosse mais interessante. Agora se teve alguém que deu um gás como nunca foi Britt Robertson, que já havia falado bem dela no seu outro longa desse ano "Uma Longa Jornada", e aqui com sua Casey mesmo que provavelmente gravando em um estúdio completamente verde transpareceu a felicidade em ver seu sonho sendo realidade, o que demonstra mais do que ser uma excelente atriz, mas saber transparecer interpretação com muito futuro pela frente, e além disso foi dinâmica na maioria das cenas, o que acabou agradando bastante. Para finalizar o elenco principal, precisamos falar do Dr. House, ops, Hugh Laurie que mesmo preferindo TV tem feito bons longas atualmente e chamado atenção pela forma eloquente que costuma empregar em seus diálogos, e aqui mesmo seu Nix sendo um personagem duro e cheio de arrogância no coração, fez suas dinâmicas serem bem interessantes.

Claro que sabemos que quase 100% do longa foi feito sob computação gráfica, mas mesmo assim ainda temos um visual impressionante da trama que consegue retratar demais a ideias dos parques de diversão da Disney, mas aliado a um mundo cientificamente ideal e maravilhoso, o filme acabou desenvolvendo diversos elementos cênicos importantes e que nos envolvem para que os olhos estivessem sempre bem colocados aonde o diretor desejava evidenciar algo, ou seja, muito bem pensado na dinâmica e principalmente, a forma que os efeitos foram bem colocados, são raras as cenas em que conseguimos evidenciar erros de gravação dos atores olhando para pontos errados e com falhas nítidas de blur ou coisa parecida, que costumam atrapalhar demais nos filmes que abusam da computação, e dessa forma o resultado acaba agradando demais na beleza que é passada, fazendo realmente com que ficássemos com o sorriso estampado a cada cena maior que acaba acontecendo, claro que o destaque fica por conta da primeira visita de Casey à Tomorrowland, das cenas do garoto Frank também em sua primeira ida ao local, e não poderia esquecer da cena da Torre Eiffel. E junto da excelente direção de arte, não podemos ficar sem destacar o trabalho minucioso do chileno Claudio Miranda que já deu show em "O Curioso Caso de Benjamin Button" e recentemente fez nossos olhos viajarem pelo maravilhoso "As Aventuras de Pi", e aqui entregou uma fotografia linda com tons sempre com muito brilho e cores variando de acordo com a simbologia das cenas que estavam passando, misturando as mais alegres nos momentos vivos da trama e jogando para os tons de cinza nas cenas mais dramatizadas, de modo que tudo tivesse um realismo mais natural possível, de modo que mesmo sabendo que tudo é falso, ainda acreditássemos no que estávamos vendo na telona, perfeito.

Outro ponto que vale a pena ser citado é a sinestesia das canções que foram empregadas no longa e que realmente nos remetem ao universo de diversos filmes da Disney e com isso o envolvimento é perfeitamente encaixado e agrada demais, pois Michael Giacchino colocou todas referências na trama, mas criando algo mais envolvente ainda trabalhando novamente com o que disse da direção de arte, na desenvoltura para que o longa nos colocasse no clima de um grande parque de diversões, e isso funcionou muito, pois a movimentação cênica flui com todas as trilhas utilizadas.

Enfim, posso até dizer que talvez um dia esqueça dele, como a maioria das críticas vem dizendo por aí, mas é inegável que durante um bom tempo ficarei fantasiando e sonhando com a possibilidade de um dia ver um mundo, mesmo que imaginário em algum parque de diversões, tão maravilhoso como o que foi mostrado no longa, e dessa forma, o filme acabou entretendo até mais do que imaginaria e esperava dele, ou seja, cumpriu com sua missão para esse Coelho aqui, e dessa forma mais do que recomendo ele para todos com muita certeza. Portanto vá ao cinema sem muitas pretensões, imaginando estar indo para se divertir como se entrasse num parque de diversões e que lá fantasiará diversas emoções e situações que possam alegrar seu dia, e dessa maneira com toda certeza lhe garanto que o filme comunicará com você. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam duas estreias para conferir, então abraços e até breve.


4 comentários:

João Carlos Melo disse...

Sonhador tem de ficar junto de outro sonhador!
Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade!
Raul Seixas
Você pode me achar um sonhador. Mas espero que um dia você se junto a nós!
John Lennon

Fernando Coelho disse...

Ótimas citações meu caro amigo João Carlos Melo!! Complementam bem a ideologia do filme!! Abraços!

Itzel Aguilar disse...

Vários são contra o trabalho Damon Lindelof ele fez para o erro que ele poderia fazer com Lost, mas só acho que você não deve julgar por que eles são diferentes projetos.

Fernando Coelho disse...

Concordo Itzel... o mal dos críticos hoje é querer comparar trabalhos, por isso que vão sempre falar mal dos Irmãos Wachowski, pois querem outro "Matrix" e não vai existir, então tem de ver cada filme como único e gostar ou não daquilo que vê!! Abraços!

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