Simplesmente Acontece (Love, Rosie)

3/06/2015 01:48:00 AM |

O fato de que a maioria dos romances conseguimos prever com certa antecedência tudo que irá ocorrer não é justificativa para que nos entreguem o trivial arroz com feijão sem nenhum tempero para que ao menos ficássemos envolvidos, ou que pelo menos desse pra ouvir as garotas presentes na sala soltarem o tradicional ownnn. Falo isso, pois a ideologia da trama de "Simplesmente Acontece" teria tudo para envolver e deslanchar com as reviravoltas que o nome nacional já dá a entender, afinal o nome original é "Love, Rosie" que durante o filme é possível entender também bem sutilmente, acredito que no livro faça mais jus, mas até aí tudo bem. Logo de cara já é possível entender tudo o que vai acontecer, sem surpresa alguma, mesmo o filme começando praticamente do meio, voltando ao início, acelerando mais pra frente e tudo mais, não temos grandes surpresas que já não tenham aparecido no trailer, ou até mesmo sem ver nada, já dá para matar o final do romance morno que nos é apresentado, o que é uma pena, pois com apenas um final diferenciado agradaria muito mais, mas como é baseado em um livro, não dá para inventar muita moda, então coma algum açúcar antes da sessão e vá pois nem para adoçar a vida ele vai servir.

O filme nos mostra que os jovens britânicos Rosie e Alex são amigos inseparáveis desde a infância, experimentando juntos as dificuldades amorosas, familiares e escolares. Embora exista uma atração entre eles, os dois mantêm a amizade acima de tudo. Um dia, Alex decide aceitar um convite para estudar medicina em Harvard, nos Estados Unidos. A distância entre eles faz com que nasçam os primeiros segredos, enquanto cada um encontra outros namorados e namoradas. Mas o destino continua atraindo Rosie e Alex um ao outro.

Os diversos obstáculos criados dentro do roteiro para que o casal não fique junto até são interessantes e não soaram forçados, mas a dinâmica do filme é ruim e um pouco bagunçada já que no total se passam 12 anos entre o filme todo, o que aparentemente mais foi diferenciado do livro que originou a história, onde se passam 45 anos e aí não conseguiríamos sobreviver ao filme de tão enroscado que ficaria, mas na trama que Juliette Towhidi adaptou da escritora Cecelia Ahern, que fez "P.S. Eu Te Amo", porém diferente do romance totalmente emotivo do de P.S., aqui a situação ficou fraca, embora tente diversas vezes causar emoção, mas sempre acaba fraquejando. O diretor Christian Ditter estreia no comando de um filme não falado em alemão, mas seguiu a cartilha do cinema alemão com afinco, pois ao invés de atiçar a curiosidade do público que gosta de um romance marcado, ele faz com que tudo seja mostrado logo de cara, e isso tira um pouco da magia que o filme poderia ter. Além disso, por não ser tão alongado, muitas das situações acontecem sem explicações convincentes, e isso também incomoda bastante. Enfim, ao tentar reduzir a história de 45 anos para 12, acabaram mais perdidos que tudo na concepção do roteiro, e a direção não foi experiente o suficiente para conseguir corrigir isso.

Quanto da atuação, o que podemos falar com muita certeza é que a química de Lily Collins e Sam Claflin acontece, tanto que não dá para mentir o sentimento de ambos durante o longa inteiro, mas poderiam ser mais sentimentos ocultos para realçar a paixão de um pelo outro, e isso soou um pouco falso. Um fator interessante foi a quantidade de mudanças visuais que os protagonistas sofreram para dar o teor dos 12 anos, com muitas mudanças de cabelo, maquiagens e tudo mais ajudaram na composição, e isso ficou bem legal, acabando influenciando bem no modo de interpretar também em cada uma das épocas. Lily trabalhou de certa maneira com um humor meio falso até em algumas cenas, não aparentando realmente o que sua Rosie estava sentindo, e isso pesou bem no reflexo do filme, talvez precisasse de um empurrão maior da direção que acabou não existindo e isso prejudicou e muito o filme. E Sam é um ator interessante, que até teve bons momentos, mas como suas cenas são picadas, ele transpareceu bastante cansaço por não ter um ritmo contínuo de interpretação, e isso é fatal para desenvolver o personagem, acabando com o que seu Alex ficasse falso demais em relação a diversos sentimentos. Agora interessante mesmo foi Jaime Winstone que fez de sua Ruby uma personagem totalmente fora dos planos, claro que digo isso sem ler o livro, mas o que inicialmente parecia que seria apenas uma conversinha boba, acabou se tornando uma amizade incrível e cheia de nuances com uma interpretação muito bem feita. Dos demais, todos fizeram algo certo frente às câmeras, mas sempre soaram caricatos e clichês demais, Christian Cooke faz o macho alfa que nos momentos mais precisos some, Tamsin Egerton faz a namorada que só quer crescer na vida e não faz nada fora dos padrões, Suki Waterhouse faz a garota bonita que se dá bem na vida, mas não tem expressão alguma, ou seja, tudo muito arrumadinho e chato de ver. Lily Laight e Rosa Moloy fazem bem Katie com 12 e 5 anos respectivamente, sendo fofinhas e mostrando já trabalho logo no início de suas carreiras, quem sabe quando tiverem mais textos podem destacar mais.

Visualmente tivemos locações bem harmoniosas que foram bem trabalhadas para aconchegar e não deixar a trama sem estilo, claro que poderiam ter trabalhado com situações menos falsas, afinal tudo rodeia sempre o tradicional, as casas uma do lado da outra quase semelhantes, com objetos colocados todos detalhadamente pontuados para aparecer certinho na câmera, nos apartamentos tudo milimetricamente calculado, e até mesmo no hotel do final, temos os detalhes sempre arrumados para que o quadro da câmera se encaixe minuciosamente mostrando tudo e os atores, de maneira que nada ali parece estar acontecendo de forma natural, e isso é ruim, mesmo que a equipe quisesse mostrar um serviço bem feito, há diversas maneiras de demonstrar isso, mas tudo nos mínimos detalhes acaba parecendo mais errado do que correto. A fotografia ao menos compensou o erro da arte, temos alguns ângulos de câmera bem escolhidos para que a iluminação destacasse as faces amorosas dos protagonistas, tendo contraluz na medida correta para dar o beijo e isso é bonito de ver quando acertam a mão.

Com boas canções escolhidas para a trama, viajamos ao começo da carreira de Beyoncé e tocou até Rouge numa festa, num trabalho perfeito de escolhas para representar cada ano que a trama se passa, e isso é um acerto bem pontuado pela equipe musical do filme. E além disso todas colocadas em momentos aonde aliasse a questão sonora com o ritmo da trama, pois confesso que se não tivessem deslanchado musicalmente, o filme seria ainda mais tedioso.

Enfim, é um filme que nem quem tiver muito apaixonado ou com uma ressaca amorosa querendo afogar vai conseguir gostar do que é mostrado, de modo que faltou tudo na trama para se tornar envolvente e gostosa de acompanhar. Recomendo ele somente se você não tiver mais nenhum outro longa para conferir e gostar demais do estilo romântico aonde tudo é certinho demais e você já saiba o que vai acontecer a cada momento. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas ainda faltam mais alguns longas para conferir nesse final de semana, então abraços e até breve.

PS: A nota poderia ser até menor, mas como os protagonistas tiveram bons momentos com a composição nos vários anos da trama, e as músicas agradaram bastante, fico no meio termo com uma nota morna igual o filme.


2 comentários:

Anônimo disse...

Coelho, sinceramente, eu não sei o que acontece com os críticos.

Não se pode começar a criticar um filme dizendo que ele é clichê, afinal, se ser clichê fosse um defeito todos os filmes de terror deveriam ser mal avaliados => correria, gritos e sustos são certos em todos!

Agora, esse filme não é tão clichê. Os críticos que me desculpem, mas parece que vcs se tornam mais insensíveis com o tempo.

Simplesmente acontece (aliás, que péssima tradução) é um filme bem interessante.
Ele é interessante pq já começa diferente, com o público notando logo de cara que os personagens possuem uma ligação única. Não há separações por brigas ou por um sentimento unilateral que somente depois será correspondido. Não houve invasão de igreja, não teve correria desenfreada para impedir viagens, e ninguém largou ninguém de um minuto pro outro jogando tudo pra cima. Isso já torna esse filme diferente de 90% dos romances padrões.

Esse não é um filme de comédia romântica pastelão, ele é um filme de romance pé no chão com toques de humor.

Afirmar que o final era previsível é um apontamento extremamente infeliz, afinal, só se pode afirmar isso depois de ver o final (temos exemplos de romances que terminam de forma trágica), portanto, essa é uma afirmação que, sinceramente, acho idiota, até pq só há dois finais possíveis em romances: os personagens terminarem juntos e felizes ou separados. Eu, pessoalmente, acho que romances devem ter finais felizes, afinal, se fosse pra ver tragédias eu escolheria um drama.

Pra quem leu uma sinopse curta e não conhecia o livro, ficou sim um leve suspense se eles terminariam juntos.

Considero simplesmente acontece um filme bem diferente da maioria, foi uma grata surpresa. Também devo dizer que, ao final da sessão, diversos espectadores ensaiaram discretas palmas, o que demonstra a satisfação com o filme, que também é bem cotado no IMDB (7.2).

Por tudo isso, não considero 2,5 uma nota justa.

Fernando Coelho disse...

Olá Amigo, já disse isso em outras críticas e falo novamente, eu diferentemente de outros críticos não analiso história, e sim o desenrolar da trama, conceitos fotográficos, atuações, direção e tudo mais... quem é jornalista apenas só vê história e seja feliz!!! Você no caso só viu isso e assim o filme é bonitinho e acabou lhe encaixando no estilo que falei no final "gostar demais do estilo romântico aonde tudo é certinho demais", e como um outro amigo crítico já disse também, o filme para você quando ele lhe atinge, então nesse caso não me conquistou, mas conquistou você então está valendo. Abraços!

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