Sniper Americano ("American Sniper")

2/17/2015 03:20:00 AM |

Todos sabemos que em filmes de guerra a forma heroica e patriota dos moradores dos EUA praticamente saem do nível máximo rumo ao infinito, e isso é um fator marcante que muitas vezes chega até incomodar, mas fazer o que é o jeito deles de vivenciar suas guerras, e os filmes nada mais são do que reflexos do que os roteiristas veem. E sendo "Sniper Americano", um longa baseado numa história real, não tinha como isso não ser impregnado na trama, então quem não gosta desse estilo ou releva ou não conseguirá ver o que o longa tem a mostrar. Porém o que o diretor Clint Eastwood nos entrega é tão impactante e bem feito que mesmo quem é totalmente contra a violência acaba entrando no clima e se envolvendo com o que é passado, de forma que a saída da sessão é assustadora de tão silenciosa que o público sai, e mesmo contendo alguns defeitos que não são admitidos nem em filmes amadores, o resultado geral do longa é algo tão bom que é garantido que sem eles seria facilmente um dos melhores filmes do ano.

O filme nos mostra que Chris Kyle é um atirador de elite das forças especiais da marinha dos Estados Unidos que, em dez anos (1999-2009) se tornou uma lenda, tendo assassinado mais de 150 pessoas durante o tempo em que serviu no Iraque. Kyle recebeu diversas condecorações por sua atuação. Sua única missão era proteger seus companheiros.

Muito foi dito sobre o roteiro ter sido adaptado com minúcias por Jason Hall, e isso é algo sempre bom para se pontuar, tanto que o filme foi indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado pelas belas nuances que a história acabou tornando, mas o envolvimento que Clint conseguiu passar, fez com que o longa tivesse vida própria de tal forma que em momento algum pensamos ser uma história adaptada, mas sim algo completamente criado por alguém que conheceu pessoas que viveram na guerra do Iraque e fantasiou diversas situações, mas quando nos é entregue o final, aonde somente ali é revelado que aquilo realmente aconteceu, o impacto é ainda maior e acaba dando uma visão mais interessante do que já havia acontecido, e isso é excelente, pois o ele funciona muito bem como um filme de guerra, aonde quem está acostumado com jogos de tiro vai se sentir praticamente em casa, e aliado à tudo que o diretor já conhece de dramas familiares, esse envolvimento do protagonista com sua esposa ganha formas e dimensões bem trabalhadas. Aí é que entra um dos erros mais inadmissíveis dos últimos anos do cinema mundial, que é o bebê que todos já vinham falando há tempos, e se os demais filmes que concorrem a melhor filme estivessem todos no mesmo patamar, o que não é o caso já que temos alguns despontando como favoritos, com certeza o longa perderia facilmente o prêmio por isso, já que onde se viu um longa com milhões de orçamento não arrumar um bebê verdadeiro para uma cena simples, mas intensa? Ou corta a cena do filme na edição, o que seria uma medida correta e não atrapalharia tanto o rumo da história, ou na gravação iria até um hospital qualquer próximo ao set e alugava qualquer bebê que estivesse ali facilmente, já que segundo a desculpa do diretor foi a de que o bebê contratado estava doente no dia. E mesmo quem não souber que ali está em cena um boneco por ter lido em algum site, vai notar, pois o nível de falsidade foi tamanho, que nem o ator soube como segurar aquele objeto cênico que acabou virando um bebê. E já que disse que isso seria facilmente resolvido com um corte, entra a outra indicação do longa, que é como Melhor Edição, e só ganharam essa nomeação por serem espertos suficiente em diversas cenas, nos momentos que caberia um alongamento de cena, reverter para algo rápido e preciso já fora da guerra, o que as vezes pode soar estranho, mas que deu um tom próprio ao filme, mas que poderia ser melhorado em diversos momentos.

Sobre a atuação, Bradley Cooper já pode entrar para o seleto grupo de atores espertos de Hollywood, que ao conhecer um bom roteiro, vai lá compra os direitos dele de produção, e se coloca como protagonista, pois o papel principal de Chris caberia para diversos atores, mas ele fez questão de engordar 18 quilos e transformando o personagem facilmente em um dos seus melhores papéis, com trejeitos bem encaixados, frieza controlada na medida e precisão nos olhares, que lhe garantiu mais uma indicação à Melhor Ator no Oscar, que não deve ganhar somente por os demais estarem um nível acima nesse ano, senão esse ano a chance de sua quarta indicação virar prêmio era altíssima. Sienna Miller trabalhou de forma interessante para o papel de Taya, pois ao mesmo tempo que poderia virar algo exagerado suas lamentações, a atriz trabalhou a expressão de uma maneira tão correta que acabamos nos envolvendo com ela, emocionando nos seus momentos difíceis e quase sabendo o que cada olhar pode nos dizer, bem como sua última cena ficou plausível para qualquer entendedor que mesmo vindo o texto na sequência não deixa sequer dúvidas no ar. Dos demais, temos muitos soldados que conseguem ter bons momentos junto do protagonista, mas ficar citando um a um daria um texto imenso aqui, então vou apenas destacar o que teve a cena mais dura e forte que foi Jake McDorman com seu Biggles, aonde caiu com tanta expressão nas suas cenas dentro do hospital que mostrou serviço para trabalhar em muitos outros filmes sem ninguém nem pensar duas vezes. E do lado oposto o destaque claro ficou para Sammy Sheik que deu expressão forte e bem pontuada para o seu Mustafa que tão lendário quanto o protagonista funcionou bem para tudo que é colocado no filme, e isso funcionou bem principalmente por o ator trabalhar com dinâmica nas cenas mais rápidas.

No contexto visual, o filme trabalhou bem na cenografia para recriar tanto as cenas no Iraque, com as casinhas tradicionais, já semidestruídas pela guerra, e colocou os elementos cênicos, armas e figurino dentro de um patamar mais dentro de uma realidade simples, já que mesmo sendo um filme grandioso, contou com um orçamento bem limitado de 58 milhões, o que acabou sendo um dos motivos para que Spielberg que originalmente dirigiria o filme saísse de cena. Não podemos dizer que o filme nesse sentido foi primoroso, mas trabalhou bem dentro que lhe era permitido, e isso caiu bem na trama, funcionando como uma guerra deve ser, personagens atirando e morrendo, sem muito enfeite. E quanto a fotografia temos cores bem colocadas para representar cada ato de guerra, o que é maravilhoso de ver, de forma que na cena da tempestade de areia nossos olhos chegam a doer do tom marrom escolhido para sujar realmente a filmagem.

Agora um dos pontos que apostaria facilmente no filme é nas indicações de Edição de Som e Mixagem de Som, pois nos vemos em diversos momentos olhando para os lados e para trás com a forma dimensional que conseguiram montar o filme, os tiros parecem vir a cada momento de um novo ângulo, assim como o choro do bebê e até mesmo os ventos possuem texturas e agradam demais, da mesma forma que o silêncio tem uma importância precisa e bem colocada.

Enfim, o longa possui defeitos que faz o público reclamar com motivos reais, mas é notável também que o filme funciona bem para quem gosta de um longa de guerra e assim acaba envolvendo de maneira adequada e bem colocada. Além de que como já havia dito antes do filme para meus amigos que me acompanharam na sessão, nunca fui muito fã do Bradley, e confesso que aqui ele me convenceu e fez do filme algo bem interessante sob o comando do mestre Clint. Ou seja, recomendo que todos assistam o longa, reclamem muito dos erros, mas dou a garantia que a maioria irá se envolver com o que será apresentado. Fico por aqui faltando apenas um longa para conferir, mas como na próxima semana só estreará os dois longas que já vi na pré-estreia, vou acabar deixando ele para não ficar tão triste. Então abraços e até breve pessoal.



2 comentários:

Paola Sánchez disse...

Duvidava ver esse filme porque há já muitos história de guerra no filme. No entanto, eu revi que a American Sniper, um dos melhores filmes HBO, não só vemos uma história cheia de ação, batalhas e lutas, porque o par contém emoção, amor e um resultado inesperado. Espero que eu realmente não gosto dela.

Fernando Coelho disse...

Olá Paola, pode ver sim, pois mesmo tendo muita guerra, o princípio aqui é mais os traumas que a guerra acaba passando na cabeça de um homem e assim consegue agradar um público que não é tão fãs de guerra também! Abraços!

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