Quando Eu Era Vivo

2/03/2014 03:40:00 AM |

Primeiramente gostaria de saber que tipo de bruxaria fizeram para que tanto eu quanto a maioria dos críticos esteja gostando do filme "Quando Eu Era Vivo", pois ele não tem nada demais que o faça genial, muito menos que assuste na medida como deve em um filme de terror. Porém mostra que o Brasil também começa a investir nas produções baratas de terror como alternativa para se produzir mais, e aí é que entra roteiros bem encaixados para sobressair aos blockbusters de comédia fajuta que estamos acostumados a ver nos nossos cinemas. A trama consegue segurar bem utilizando de ocultismo e lembranças passadas para deixar o espectador intrigado com tudo que ocorre, e além disso com a cena final ficamos mais intrigados a querer ver novamente pra tentar entender uma frase que o protagonista diz no meio do filme a qual é o nome do título.

O filme conta a história de Júnior que volta a morar com a família depois que perdeu seu emprego e separou de sua esposa. Ao chegar na casa que um dia já foi seu lar, ele se sente um estranho e passa seus dias no sofá do velho Sênior remoendo a separação, o desemprego e sonhando com a jovem inquilina Bruna. Após achar alguns objetos que pertenciam à sua mãe, Júnior passa a querer tudo sobre a história da família e desenvolve uma estranha obsessão pelo passado, passando a confundir delírio e realidade.

O interessante da história é que mesmo o filme tendo um ritmo um pouco lento, acabamos nos afeiçoando a ele, pela forma de nada ser mostrado com um significado direto, sempre largando peças para intrigar o espectador e mesmo com o fechamento ainda ficamos sem saber realmente se o nome do filme é ou não verdadeiro, pois acabaria ficando um pouco estranho tudo o que acontece antes. Acredito que no livro que em que é baseado a história tenhamos mais detalhes para concluir isso, mas em momento algum o longa acaba ficando faltante com a história que se propõe e consegue manter a tensão em tudo que é mostrado mesmo com baixíssimo orçamento. O diretor Marco Dutra mostra que depois de ter feito um terror ridículo("Trabalhar Cansa") em 2011 e um brilhante drama("Meu País") também no mesmo ano, agora chega com força aos roteiros simples, mas bem pontuados e se seguir essa linha poderá em breve começar a chamar atenção internacional.

Quanto das atuações, Marat Descartes consegue quase virar um zumbi de tão centrado que fica ao entrar no apartamento e impressiona pelo gestual que demonstra, mas poderia ter trabalhado um pouco mais seus textos para ter uma entonação menos metódica, no geral agrada bastante tudo que faz. Antônio Fagundes faz cara de assustado em tudo que se coloca, nem parecendo ser o grande ator que conhecemos da TV, talvez por estar um pouco desacostumado com o gênero terror, mas poderia ter sido melhor aproveitado suas cenas. Sandy Leah faz praticamente ela mesma, já que como aluna de música ela se faz convincente de saber o que está fazendo, praticamente atuando como fez no seu seriado no passado. Helena Albergaria poderia aparecer mais para assustar os espectadores, tanto que suas aparições sempre são as cenas mais chocantes. Kiko Bertholini também poderia estar mais presente, já que seu visual é aterrorizante na clínica, e seus momentos são bem encaixados para a trama. Quanto as duas personagens de Gilda Nomacce e Tuna Dwek, embora sirvam para mostrar as cenas mais fortes da trama, poderiam ter sido menos falsas no estilo novelesco de ser que agradaria mais.

O visual da trama é bem básico, afinal tudo se passa num único apartamento, mas se colocarmos em pauta todos os elementos cênicos usados o longa desponta monstruosamente, afinal como é mostrado muita coisa da época que o protagonista era criança e acha essas velharias encaixotadas num quartinho macabro, fica tudo muito bem montado no clima que o filme quer chegar. A fotografia usou e abusou da iluminação escura usando lâmpadas bem amareladas para dar um tom sinistro na casa, e isso agrada certeiramente.

A trilha sonora compões músicas de fundo bem pontuadas para marcar as cenas mais sinistras e canções interpretadas pela própria Sandy, que acabou acumulando funções, mas por incrível que pareça as músicas aqui ficaram melhores que as próprias de seu repertório, por encaixarem adequadamente no filme. Além disso a música do comercial embora pareça infantil é mais soturna que se uma criança ver aquele palhaço é capaz de não dormir dias.

Enfim, era o filme que julgava ser a pior estreia da semana, e acabou surpreendendo muito pelo que apresentou, quem sabe o Brasil possa tomar essa ideia como base e fazer mais produções do estilo ao invés de gastar horrores com filmes de comédia sem graça. Recomendo pra quem goste de um terror diferenciado sobre ocultismo, pois não necessariamente irá agradar a todos, sendo bem específico para um determinado público que optaram atingir. Ele ainda está longe de ser um filme perfeito e que assuste bastante, mas no que foi proposto a fazer cumpriu bem. Fico por aqui agora nessa madrugada, mas volto no fim da noite com a opinião do filme em cartaz no Belas Artes daqui, então abraços e até mais tarde.


8 comentários:

Anônimo disse...

O filme é tão ruim que 1/3 dos que se aventuraram a assistir saíram antes do "fim", e os que resistiram bravamente se olharam com fúria ao término da película, certamente ofendendo toda a árvore genealógica dos atores, do redator, roteirista, diretor e dos demais profissionais que ousaram colocar essa coisa nos cinemas.
Esse filme é digno de inaugurar outro bonequinho da série o bonequinho viu, dessa vez com vários em fila deixando a sala.

Fernando Coelho disse...

rssss... bom é o que falo cada um tem um gosto... o outro filme do mesmo diretor eu achei um lixo, mas esse curti bastante, é bem diferente, mas também não é assim tão ruim!!!

Anônimo disse...

Coelho, não acredito que vc gostou dessa bomba. Esse filme é muito ruim!
MUITA gente saiu antes do fim, e quem resistiu realmente saiu reclamando. No cinema em que assisti ele não conseguiu passar de 1 semana em cartaz, e foi muito pq não tinha nem metade da sala ocupada no início (claro), pq no final sobraram umas 20 pessoas. Só fiquei até o final pq paguei, se fosse cortesia eu tb tinha saído antes do fim (na verdade, após ver o final acho que teria aproveitado melhor o meu tempo saindo antes, mesmo tendo pago o ingresso).
Eduardo.

Fernando Coelho disse...

Olá Eduardo... não posso falar nossa que filmaço que recomendaria pra Deus e o Mundo, mas gostei da proposta e achei que foi bem trabalhado. Aqui também ficou uma semana só, mas os 20 que tinha na minha sessão permaneceram... rsss

Thaíza Rochetti disse...

Podem me julgar, mas alguém por favor me explica o final? Pode ser que o ritmo arrastado do filme tenha me feito perder algum detalhe, mas eu realmente não entendi...

Fernando Coelho disse...

Olá Thaiza, não lembro muito do filme, justamente fiz o site por isso, por não ter memória para lembrar de filme algum... mas se não me engano, o lance é o esquema de mortes, posso estar enganado, mas é o que lembro mais ou menos e para ser preciso precisaria rever. Abraços.

Wendel GonPer disse...

O filme é muito bem desenvolvido. A transformação progressivamente degradante do ambiente e personagens conseguem, com muita competência, criar um clima tenso e curioso. Contudo, além da péssima interpretação da Sandy e a participação imprecisa de sua personagem, o filme deixa um gosto amargo de decepção no seu desfecho. O que foi que aconteceu ali??? Poderia ser alucinação, paranóia mas existem fatos concretos dentro da trama que não permitem a explicação. Tecnicamente muito bom mas é um completo "sem pé nem cabeça". Alguém ao teria uma explicação plausível para o filme?

Fernando Coelho disse...

Olá Wendel, disse tudo em poucas palavras rsss!!! Eu acho que eles nem querem que tenha uma explicação plausível para o filme, seria mesmo algum tipo de aberração que desejam deixar no ar e que cada um tire suas própria conclusões! Mas acho que não reveria o filme para tirar alguma não, mesmo sendo um bom filme! Abraços!

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