Ela

2/15/2014 11:14:00 PM |

Certos filmes conseguem nos fazer refletir sobre diversas coisas, e o diretor Spike Jonze é daqueles que prefere colocar tudo com sutilezas e trabalhar com polêmicas interessantes sem forçar a barra nem exigir que o espectador precise destruir seu cérebro para entender o que ele deseja mostrar. O ponto forte de "Ela" é o agradável deslanchar do personagem com seu sistema operacional, enquanto descobre a si mesmo com o florescer das descobertas e aprendizado do sistema, o que se analisarmos a fundo veremos que não é apenas essa superficialidade que o diretor quer nos mostrar e se trabalharmos só um pouco mais a ideia do filme iremos emocionar mais ainda com os problemas que podem ocorrer com a falta de conhecimento sobre nós mesmos, a forma que a modernidade pode acabar com os relacionamentos reais, entre muitos outros assuntos abordados.

O filme se passa em um futuro próximo na cidade de Los Angeles e acompanha Theodore Twombly, um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer Samantha, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro. Ela é uma história de amor original que explora a natureza evolutiva - e os riscos - da intimidade no mundo moderno.

Muitos poderão falar que o longa é teatralizado demais, por focar quase 100% nos dois personagens principais e que as saídas deles de quadro são apenas cenográficos, mas a forma que o diretor e roteirista Spike Jonze conseguiu amarrar todas as pontas nos coloca sempre ajustando nossos sentimentos com o que acaba de acontecer e com isso temos um filme agradabilíssimo de acompanhar do início ao fim sem ter nenhum momento que faça o espectador desanimar ou ficar olhando para o relógio, passando tão rapidamente os 126 minutos de duração. A mensagem que o filme acaba nos passando, acredito que pelo ser humano atual procurar tantos meios para sobreviver em meio a selva de pedra onde tudo pode acontecer é encontrar meios de conviver consigo de forma mais agradável para se conhecer mesmo que você tenha de ser 2 pessoas as vezes.

Se existe uma categoria no Oscar que sempre acaba tendo diversas injustiças é a de ator, e mais uma vez Joaquin Phoenix acabou ficando de fora com uma atuação magnífica onde poucos fariam de forma tão intensa uma conversa com uma pessoa a qual ele não vê e notamos todos os sentimentos expressados em seu rosto que trabalha na medida mais interessante possível e mereceria com certeza ser lembrado ao menos com uma indicação. Scarlett Johansson é mais do que apenas uma voz, conseguindo demonstrar toda sua sexualidade sem mostrar uma parte sequer de seu corpo e nos satisfaz na medida certa de entonações que impressiona pela técnica que com certeza empregou para respirações e tudo mais. Amy Adams vem numa crescente de personagens que fico pensando o que mais ela pode fazer de bom usando apenas suas expressões intrigantes, aqui chega alguns momentos que até ficamos com dó dela. Dos demais são apenas participantes do filme já que tudo se concentra neles, valendo destacar que Rooney Mara nem parece a mesma estando normalzinha e Portia Doubleday nos deu um susto ao aparentar tanto com Scarlett que até achei que a protagonista faria 2 papéis.

O visual da trama embora seja muito tecnológico opta por um minimalismo interessante de gostar e por alguns momentos temos apenas como único elemento elaborado e extremamente necessário o celular onde vive a protagonista,, e com isso não precisamos nos prender a detalhes de cada cena. Um pequeno deslize, que não chega nem a ser algo fatal é o exagero de utilizar a mesma roupa, afinal Phoenix passa quase a duração completa do longa usando a mesma camisa que está no pôster. A fotografia utilizou muita luz natural para dar mais realismo às cenas e isso agradou bastante para deixar o filme nos horários mais reais sem sombras atrapalhando nada.

A trilha sonora de Arcade Fire junto das composições originais para o filme deram uma classe gostosa de ouvir e ajudou muito no ritmo da trama, que acabaram incorporando as faixas musicais como algo que ninguém nunca imaginou sendo algo mais sensorial e visível.

Enfim, é um filme muito gostoso de assistir que foi extremamente acertado pelo momento em que vivemos de exageros tecnológicos tomando conta de tudo, então a realidade vivida pelos personagens podem ser mero exemplo de ficção como costumam frisar ao final de cada filme, mas estamos muito perto, isso se já não estamos vivendo dessa forma onde as relações humanas de contato estão ficando cada vez mais distantes perdendo para o mundo tecnológico. Recomendo muito o filme para todos que gostem de um filme romântico bem leve, mas que não vai ser jogado apenas sem que refletíssemos sobre tudo que nos é mostrado nele. Fico por aqui agora, mas nessa semana ainda temos mais um longa para conferir, então abraços e até breve pessoal.


3 comentários:

Roberto Glarner disse...

Concordo plenamente com comentário e com a nota

Fernando Coelho disse...

Obrigado Roberto! Pena que só conseguiu roteiro no Oscar né, poderia ter alçado mais prêmios! Abraços!

comprar seguidores instagram disse...

muito bom o blog, adorei!

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