Frankenstein - Entre Anjos e Demônios em 3D

1/24/2014 09:11:00 AM |

É engraçado quando várias pessoas me perguntam o que espero de tal filme e eu falo que nem trailer vi ainda, mas galera, nem todo filme possui um grande estúdio por trás para bancar um marketing violento, e "Frankenstein, Entre Anjos e Demônios" é desse time, pois até aparecer na minha programação na terça-feira não tinha nem noção do que se tratava. Bom primeiramente, vamos tirar esse nome maluco que só os distribuidores brasileiros são capazes de criar e vamos usar o original "I, Frankenstein" ("Eu, Frankenstein") que durante toda o longa se formará o motivo do nome e não porque está no meio de uma briga entre gárgulas, aquelas estátuas medonhas que ficam em cima das igrejas antigas e não anjos, e demônios. O longa é interessante pela alta qualidade dos efeitos visuais e pela produção impecável em cima de um filme bem escuro, mas não chega nem a nos deixar curiosos com algo, muito menos com medo de algo, então poderiam ter caprichado um pouco mais no roteiro para que criassem uma tensão mais densa.

O filme que é baseado na HQ de Kevin Grevioux é uma versão moderna do conto sobre a criatura do Dr. Frankenstein, que séculos após seu nascimento, se encontra em uma cidade gótica em meio a uma guerra entre dois clãs imortais. O monstro de Frankenstein, agora com o nome de Adam, sobreviveu até os dias atuais. Tentando encontrar seu próprio caminho, ele acaba se envolvendo em uma guerra entre dois clãs imortais em uma cidade ancestral chamada Darkhaven.

Não é porque o escritor da HQ fez "Anjos da Noite" que todos os sites do planeta estão falando que o filme deveria pertencer a franquia, claro que possui suas semelhanças, mas em momento algum durante a projeção me foi remetido isso e se não tivesse lido alguns posts antes de ir para o cinema nem me passaria pela cabeça a comparação, mesmo vendo na biografia do autor. O diretor Stuart Beatie foi sábio em seu segundo longa metragem, pois conseguiu uma produção grandiosa em um roteiro meia boca, que até poderia ter sido mais bem trabalhado, afinal ele também foi roteirista de vários filmes interessantes, mas se olharmos mais a fundo sempre seus roteiros são voltados para entretenimento apenas, então o longa é uma bela sessão pipoca, para comer assistindo sem precisar ficar parando para pensar em qualquer ideologia que possa ter referência.

O quesito atuação embora não tenha nenhum diálogo que deva ser altamente pontuado é interessante, mas os atores poderiam ter se empenhado um pouquinho mais para chamar atenção pro seu personagem e com isso quem sabe melhoraria o filme. Aaron Eckahrt é daqueles atores que ou se empenha demais ou para para fazer o que for pedido, e aqui escolheu a segunda opção com toda vontade do mundo, fazendo um personagem com pose de herói, cara de vilão e corpo de atleta, então ficamos sempre em dúvida de que lado ele vai seguir o longa inteiro. Yvonne Strahoviski faz uma cientista que com 30s de papo já é notável que vá virar par romântico, mas é tão fraca a jovem frente ao papel que poderia desenvolver que ainda estou abismado que tenha ganhado prêmios pela sua atuação em um seriado, ou seja, trabalhou sem vontade nenhuma no longa. Miranda Otto nem parece a atriz que vimos em "Flores Raras", não por atuar mal, mas seu papel ficou enigmático demais para uma rainha e na hora que resolveu botar suas asinhas de fora já era tarde demais para mostrar alguma atuação. Bill Nighy deve estar sofrendo a síndrome de Nicolas Cage de estar devendo impostos demais, pois está pegando cada papel diferenciado um do outro que nem sei mais quem é o ator, não que tenha feito algo ruim aqui, mas na hora que resolve partir pra briga fica tão estranho que quase nos perguntamos se é ele mesmo ali ou foi substituído pelo dublê até na interpretação. Jai Courtney poderia ter aproveitado seus momentos que enquadrou bem em cena e ter feito bom uso da trama para se promover mais, já que é um bom ator, mas como na maior parte está brigando então não dá para valorizar muito o que fez. Os demais aparecem tão rapidamente que melhor nem comentar, afinal ou estão brigando ou falam algumas poucas palavras, dentre eles vale destacar apenas a aparição do escritor no seu momento segurança foda virando um demônio bem malvado, e só.

Agora vamos falar do que interessa, da qualidade técnica da produção afinal devem ter gasto todo o dinheiro que poderia ter sido usado para melhorar o roteiro em cenografia, ótimos filtros e tudo para que esquecêssemos que era necessário ter uma história e curtíssemos toda a pancadaria como uma diversão só. E isso o filme trabalha minuciosamente com um cenário denso desde o começo, trabalhando a cidade toda num estilo gótico bem aparentado, com um detalhe de que esqueceram figurantes sem ser gárgulas ou demônios, mas tudo bem. Além disso diversos elementos cênicos importantes, bem colocados e bem trabalhados principalmente, o diário muito bem confeccionado, as armas todas com características próprias do filme, embora pareça um taco de beisebol afinado. Os figurinos e trajes computadorizados muito bem colocados nos personagens misturando a todo momento oscilando entre gárgulas e pessoas comuns de forma bem sincronizada e agradável, dando um ar bem interessante. Os efeitos especiais casaram bem ficando ágeis para a produção e agradando visualmente. A fotografia foi bem inteligente em trabalhar bem as cenas mais escuras sem perder detalhes, o que é muito importante para uma trama, mas quem for ver o longa em 3D, escolha bem a sala que vai, pois o risco de não enxergar nada é altíssimo já que o filme se passa 99% no escuro. Falando do 3D que tantos irão perguntar, posso falar que foi bem usado, e o principal suave, pois não notamos a mudança de cenas com a tecnologia e sem ela, ou seja o óculos ficou parado na cara em tempo quase que integral, pois sempre havia uma profundidade ou outra para combinar as camadas e nas cenas de briga e voos, os que gostam de efeitos saindo da tela irão ficar felizes com várias chamas vindo em sua direção e estar voando junto deles, nada exagerado, mas bem colocado pra quem for pagar mais caro.

Enfim, poderia ser um longa fenomenal, mas acabou saindo apenas algo bom para se divertir nos cinemas aproveitando a pipoca e curtir uma versão diferente da tradicional que conhecemos a história. Se tivessem optado por mais diálogos talvez o longa ficasse monótono e perderia um público que deseja ver apenas ação e pancadaria, já que a HQ procura esse estilo mais jovem, então quem for adepto à esse estilo deverá curtir bem mais do que quem for procurar uma história mais coesa e centrada. Fica assim minha recomendação se você vai encaixar ou não. Como disse, não esperava muito dele, afinal nem sabia da existência desse longa, então gostei do que vi sem ficar eufórico com nada, apenas saindo agradado com o que vi. Fico por aqui hoje, ainda tenho mais uma ou duas estreias para conferir por aqui, então em breve termos mais posts no site. Abraços e até mais pessoal.


2 comentários:

sofia martínez disse...

É um filme divertido, mas que consegue cativar e eu não gostei. No entanto me lembrou a nova série PennyDreadful cujo tema abordará a origem de alguns clássicos da literatura como o Dr. Frankenstein, Drácula e Dorian Gray.

Fernando Coelho disse...

Olá Sofia! Pois é faltou um pouco para ser melhor, e tinha tudo pra isso!! Quanto da série não conheço, mas vou procurar saber dela! Valeu pela dica!! Abraços!

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