Gravidade em 3D

10/12/2013 01:10:00 AM |

Poderia resumir o texto do filme "Gravidade" apenas dizendo que é algo que nos deixa totalmente sufocados tanto pela história quanto pela imersão perfeita do 3D, que esquecemos de tudo e de todas as palavras e só pensamos em o que podemos fazer num lugar hostil chamado espaço, onde não existe oxigênio, som, nem nada para pensar em como se salvar. Esse era um dos filmes que mais queria ver no ano, mas também era o que mais estava com medo de ser uma negação, já que só se ouvia elogios para ele, o que costuma me deixar bem receoso, e agora poderei lotar o texto de elogios também, pois valeu cada centavo pago para ver essa que pode ser considerada a nova grande obra do cinema americano. E espero com toda certeza muitas indicações ao Oscar, pois seria mais que merecido.

O longa nos mostra que Matt Kowalski é um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone. Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.

Pelo roteiro e pelo trailer, quem não for realmente fã de filmes dramáticos provavelmente irá fugir do longa, pois vai esperar que seja algo extremamente parado e chato, mas isso é puro engano, afinal ele é repleto de cenas agitadas que acabam provocando mais claustrofobia ainda por a pessoa se chacoalhar toda e ao redor tudo ser igual. Um fator interessante é que família Cuarón, Alfonso e Jonás escreveram algo com muito embasamento real de forma a acreditarmos mesmo que tudo o que ocorre no longa poderia ocorrer facilmente numa missão espacial. E Alfonso conseguiu dirigir tudo isso com uma precisão cirúrgica ao ponto da protagonista parecer uma astronauta bem real e ainda por cima parecer ter sido filmado realmente fora da Terra. Poderia tecer inúmeros pontos positivos da trama, mas em todos colocaria algum spoiler e em hipótese alguma vou fazer isso, já que é um filme que necessita viver a experiência de sair sufocado da sala, da melhor forma possível que o diretor escreveu, estudou, dirigiu, produziu e editou para que todos conhecessem esse novo marco no cinema. Esse é a primeira indicação que gostaria de ver, direção para Cuarón. E porque não dizer também para roteiro original, já que hoje 80% dos filmes acabam sendo adaptações, aqui o diretor e seu filho souberam criar uma história verossímil e inteligente sem ser monótona e chata. Você vai falar, tá lá o Coelho se vendendo e falando igual os demais sobre o filme, eu só respondo com essas palavras: vá ver e depois comente!

A segunda indicação tem de ser para Sandra Bullock, que além de perfeita nos diálogos, conseguiu uma suavidade nos movimentos que impressionaria qualquer diretor de elenco ao dizer que fez muitas das cenas apenas usando seu corpo vagarosamente, seu esforço é minucioso e inteligentíssimo, mostrando que ainda é muito boa no que faz, existem cenas que diríamos com certeza que a atriz já trabalhou na NASA e domina demais a profissão. George Clooney nos agrada também como um coadjuvante que serve muito de trampolim para que a protagonista decole, suas falas sempre encaixam bem com o que será dito na sequência, afinal ele também é um dos roteiristas do longa, e ajudou muito nessa concepção. Os demais como são apenas vozes, agradam também como apoio, mas não há nenhum grande destaque que valha a pena ressaltar.

É engraçado falar do trabalho visual de um filme que mostra o espaço, pois o que poderia nos surpreender em um lugar onde só existem estrelas? Mas o trabalho feito foi tão sábio que até as lágrimas da protagonista acabam virando elementos para serem usados na tridimensionalidade. Cada pequeno objeto jogado pelas naves abandonadas são detalhados e ganham sentido na trama, as naves estão tão bem colocadas que é difícil achar algo errado e falar que não é real. Um trabalho que com toda certeza foi meticuloso e honra demais a categoria. A fotografia encontrou a iluminação na medida tanto para retratar os nasceres do sol quanto para as cenas de maior tensão onde o filme fica praticamente em primeira pessoa, e vemos exatamente o que a protagonista vê, perfeito em tudo.

Hoje resolvi reservar um parágrafo só para o 3D do longa, já que assim como James Cameron falou, esse é "o melhor filme de espaço já realizado" não existe uma só cena que você não esteja imergido junto com os protagonistas, rodando junto com eles, deslizando pelos lugares com o efeito da gravidade no espaço, e principalmente nos efeitos de elementos (pense em tudo que for possível, como disse acima até as lágrimas da protagonista são usadas) flutuando e saindo da tela para os mais exigentes não ter do que reclamar. Na principal cena de efeitos tridimensionais, a da explosão da nave, possui tantos pedaços voando em nossa direção que é quase necessário proteger o rosto com a aflição que é causada. Ou seja, efeitos perfeitos que também mereceriam ser no mínimo indicado à premiação.

Agora de nada adiantaria ter bons efeitos de imersão, um ótimo roteiro, atuações perfeitas e na medida se não tivesse um clima pesado por trás que só foi conseguido graças a trilha impressionante de Steven Price que a cada momento de tensão ia aumentando gradativamente e auxiliando no sufocamento constante que o diretor desejava passar. Posso dizer sem exageros que foi uma das melhores que já ouvi no cinema, sem necessitar ter absolutamente nada cantado, e que consegue envolver perfeitamente todos os espectadores. Ou seja, mais uma categoria pra colocar em pauta na lista de indicações.

Enfim, pra finalizar só falta colocar na categoria principal que é melhor filme, pois até o presente momento nesse ano não tivemos nada que chegasse nem perto para o posto de melhor do ano, pelo menos na minha humilde opinião, então fecho a lista de indicações, recomendando demais que todos vejam esse excelente filme uma, duas, quantas vezes desejar, afinal é muito bom mesmo e felizmente não precisou de nada apelativo para agradar, sendo simples na quantidade de personagens, com uma história bacana e também se olharmos a fundo bem simples, mas tudo executado com minúcia para ser perfeito. Fico aqui triste apenas porque veio tantos filmes essa semana pra cá que não poderei rever ele tão cedo, mas com toda certeza irei rever, pois vale muito. Volto ainda hoje, sábado, com mais filmes por aqui, afinal essa semana está recheada de estreias, então abraços e até logo mais.

PS: Como já dei 10 para alguns filmes nesse ano, precisaria criar uma nota 11 para ele, mas não temos, então como estamos no dia das crianças, vamos relembrar a escola dando um 10 parabéns com estrelinha para o filme
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10 comentários:

Anônimo disse...

Muito Bom !

Anônimo disse...

Assisti ao filme sem 3D e achei fraco, sinceramente.
É um filme que começa, decorre e termina praticamente no mesmo ritmo (lento), como as coisas se movendo no espaço.
Em outras palavras, ele termina sem que tenha havido um ápice.
Depois desse filme o espaço perdeu todo o seu charme e ficou sem graça. Preciso (urgentemente) de uma boa dose de Jornadas nas Estrelas pra me curar desse desânimo estelar.
Eduardo.

Fernando Coelho disse...

Rsss... Eduardo, mas no espaço tudo é lento... esse é o charme e originalidade do filme... é nesse quesito que fico "um pouco" bravo com Jornada nas Estrelas, Star Trek e Star Wars... tudo faz barulho e anda correndo contra a gravidade!! Mas é o tradicional filme que quem goste de muita ação fique frustrado mesmo. Abraços!

Anônimo disse...

Eu sei Coelho, mas dava pra fazer uma coisa melhor. Na minha opinião se tivessem reestabelecido a comunicação da terra com ela no terço final do filme, mostrando o pessoal da Nasa correndo contra o tempo pra arrumar um jeito de religar algum sistema, com a tensão dela conseguir ou não implementar o que eles passavam teria dado o clímax que o filme não teve.
Assim, mesclava-se a realidade do isolamento espacial da maioria do filme com um final mais agitado e interessante.
Ao final do filme eu não vi ninguém com um sorriso no rosto saindo da sala de exibição.
Eduardo.

Aluizio Paulo disse...

valeu pelo comentario

Fernando Coelho disse...

Acho que ficaria interessante isso também que você pôs Eduardo... só não sei se seria algo possível né, visto que ela estava numa nave que não pertencia à NASA... então talvez a comunicação não fosse tão fácil, mas essa sua ideia daria um rumo interessante. Quanto ao sorriso, esse é daqueles filmes que ninguém vai sorrir mesmo, a maioria quer ar para respirar, ficam tristes pelo ocorrido e tudo mais. Fora que ver ela reaprendendo a andar é de um simbolismo monstruoso.

Anônimo disse...

Coelho faz um ranking de rápida visualização no seu site, para os filmes que vc deu nota 10, 9 ...., blz. parabéns

Fernando Coelho disse...

Olá Amigo, já está sendo feito, mas é que to tendo de reclassificar todos para funcionar o ranking direitinho, que quando fiz o site não conhecia as ferramentas... então são 700 posts pra ir manualmente alterando... logo estará no ar, abraços!

Anônimo disse...

Imagine: Uma cidade do interior com um único "cinema" que só passa filme pornô, passava, pois felizmente "quebrou". É a minha. Em 2014 leio aqui que Gravidade 3D tem pop out pra ninguém botar defeito. Então penso: Se não posso ir ao cinema 3D, que ele venha a mim. Comprei uma tv 47 3D e coloquei Gravidade, o que foi que aconteceu Coelho? Profundidade:10 coelhinhos, mas pop out: Nada. Aquele parafuso era para ter saído! Dá pra assistir até sem óculos! Desliguei-o no meio e coloquei Sammy 3D que vc também recomendou e vc estava certo,que espetáculo! O que aconteceu com Gravidade ou com o seu comentário? Antes que alguém diga que no cinema é outra coisa, e Sammy na minha tv? Tive que segurar minha filhinha pra ela não ficar pulando na tv tentando agarrar as coisas que saíam da tela!
Você já o assistiu (Gravidade) em casa? Pergunto PQ acho vc um bom Crítico, e espero que me entenda.
Luciane.

Fernando Coelho disse...

Olá Luciane!!! Que dificuldade sua cidade hein rsss!!! Então ainda não ando tendo tempo para ter o Tem Um Coelho na TV de Casa (sim, era um projeto antigo, mas que não decolou), que até tenho minha TV 3D (filhote já que não cabe nada gigante na minha casa), então não vi em casa como ficou, mas alguns filmes são masterizados diferentemente para as duas mídias, então pode haver diferenças, tanto que há vários 3Ds ruins no cinema, que o pessoal adora ver na TV, e vice versa, mas precisaria testar para poder te falar com precisão!! Mas o grande feito mesmo desse é a imersão in... há outs para o povo não reclamar, ou ao menos havia no cinema, mas não é o longa inteiro!! Abraços!

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