O Homem Que Ri

5/04/2013 03:03:00 AM |

Esse é o filme dramático francês que estava esperando ver no Festival, simplesmente uma obra daquelas para se degustar inúmeras vezes como sempre fosse a primeira vez, pois é maravilhosa, e aqui divinamente interpretada e colocada diante de uma fotografia impressionantemente linda não tem como não sair da sessão feliz com o que assistiu, mesmo sendo completamente trágica. Em "O Homem Que Ri", ao mesmo tempo em que temos uma singela história temos uma visão política histórica da época que o filme se passa que acabamos ficando felizes e mais nervosos ainda com a forma política que sempre fomos tratados através de pão e circo, e ele nos deixa ainda mais a mensagem de que preferem rir da desgraça alheia a olhar para seu próprio eu.

Esta adaptação do romance de Victor Hugo traz a história de dois órfãos, Gwynplaine, um garoto cuja cicatriz no rosto dá a impressão de que ele está sempre sorrindo, e Déa, uma garota cega. Em pleno inverno, eles são acolhidos pelo grande Ursus e passam a viver com ele. Para ganharem dinheiro, os dois jovens decidem fazer um espetáculo pelas estradas, onde o sorriso de Gwynplaine desperta a curiosidade de todos que passam. Aos poucos, o garoto adquire fama e dinheiro, distanciando-o das únicas duas pessoas que sempre gostaram dele: Déa e Ursus.

A história em si é simplesmente perfeita, claro que já a vimos adaptadas por outros diretores e alguns até conhecem a história por livros que também o citam em alguns trechos, mas a forma que Jean-Pierre Améris dirige esta versão é quase um musical teatralizado de forma brilhante, alguns vão dizer até que podem ter visto uma visão de "Os Miseráveis" pela notória semelhança visual que o filme nos apresenta, mas aqui por não termos tanto a festa musical, acaba sendo bem mais forte e impactante a história de pobreza dos protagonistas e como ela nos é mostrada comparada com os ricos. A história sozinha já é muito boa e a forma que foi transmitida nessa versão conseguiu ser melhor ainda.

O trio principal de atores é algo que não me cansaria de ficar falando, pois são esplêndidos com tudo que fazem em todos os atos do longa. Marc-André Grondin conseguiu me surpreender de tal forma já quero assistir sem dúvida alguma todos seus filmes anteriores, principalmente porque vi que já ganhou muitos prêmios por outro filme, e se aqui foi perfeito e nem sequer levou alguma indicação imagino onde ele foi indicado, suas cenas aqui chegam a ter um peso imenso mesmo quando está fazendo algo cômico. Christa Theret chega a nos passar a sensação de que realmente é cega em diversos momentos, e assim sendo sofremos muito com tudo que ocorre com ela, acabando que observamos ela assim como o protagonista, sendo uma alma pura e perfeita. Gérard Depardieu é o ator francês que mais estamos acostumados a ver e ele raramente nos decepciona, aqui mostra que está bem velho e gordo, mas ainda assim perfeito em suas cenas interpretando seu texto magnanimamente.

Já falei um pouco no começo, mas vou reforçar bem agora sobre o visual do filme. Que coisa impecável, assim como falei ao sair da sala com a moça que estava trabalhando na porta do Festival, eu não consegui notar se a cenografia foi digital de tão perfeita e bela que conseguiram fazer, é algo ao mesmo tempo irreal e surreal, surpreendendo em cada elemento cênico que é destacado pela maravilhosa fotografia. Temos embora fictício quase a sensação de que podemos tocar em tudo até mesmo nas nuvens que estão passando ao fundo. Se você não ficar deslumbrado com o que irá ver esqueça tudo que já viu no cinema, pois é ao mesmo tempo forte, bem construído e belo.

Enfim, já falei muito e acabarei me repetindo demais elogiando tudo que vi na tela. Mais do que tudo recomendo demais esse filme, pois é muito bom mesmo. Ainda não tem data para estrear no Brasil, então corra para o site do Festival Varilux de Cinema Francês e veja qual o próximo horário em sua cidade para conferir o quanto antes, pois vale a pena ver em qualquer horário que seja. Fico por aqui hoje, afinal já assisti filmes demais, mas nesse sábado ainda teremos mais 4 ou 5 filmes do Festival. Então aguardem muitos novos posts por aqui. Abraços pessoal!



4 comentários:

Wellington J. Franke Jr. disse...

Me chamou a atenção de que a versão clássica de o Homem que ri idos 1930 (se é que foi nesse periodo) serviu de inspiração ao vilão do Batman, o Coringa clássico, e essa nova versão se baseia no conceito atual do mesmo Coringa do filme Batman o Cavaleiro das trevas...

Fernando Coelho disse...

Olá Wellington, pois é amigo nessa vida cinematográfica todo mundo aproveita um pouco de cada né e assim temos o tema de que nada se cria tudo se copia... rs... abraços!

Marcia Amado disse...

Adorei sua critica, irei assistir hoje sem falta. Depois retorno para te dizer o que achei.

Fernando Coelho disse...

Olá novamente Márcia, que bom que gostou da crítica, espero que goste do filme sim, é bem bacana principalmente a fotografia. Depois nos conte o que achou. Abraços!

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