As Vantagens de Ser Invisível

2/27/2013 12:04:00 AM |

Uma coisa é certa sobre "As Vantagens de Ser Invisível", que foi o maior boicote que uma distribuidora pode ter feito com um filme, principalmente por ele ser excelente e acabar engavetado em meia dúzia de salas apenas, aparecendo no interior apenas 135 dias após a estréia, e claro a maioria já preferiu baixar o filme para ver em casa, fazendo com que as sessões acabem sendo quase vazias. Como esse Coelho que vos fala é maluco, preferiu esperar sair no cinema e graças a equipe do Cinecult conseguiu finalmente ver esse longa que possuiu todo um sentimento capturado com alma pelo diretor, que é o próprio autor do livro, de forma a sairmos do cinema com tantos pensamentos que a única coisa que queremos falar é parabéns ao elenco por conseguir segurar uma bola pesada com tanta sutileza.

O filme nos mostra que Charlie é um jovem que tem dificuldades para interagir em sua nova escola. Com os nervos à flor da pele, ele se sente deslocado no ambiente. Seu professor de Literatura, no entanto, acredita nele e o vê como um gênio. Mas Charlie continua a pensar pouco de si até o dia em que dois amigos, Patrick e Sam, passam a andar com ele.

A história em si que aparentava ser bem leve e boba quando assistimos o trailer ou lemos a sinopse vai crescendo com o decorrer do filme de uma forma mais forte que uma avalanche e quando conseguimos parar para raciocinar tudo que vimos, estamos rodando junto com a bola de neve gigante no meio de um turbilhão de ideias e isso faz com que o filme mude completamente de bobinho para algo magnífico de emoções. Porém tudo isso poderia ter sido jogado fora se caísse nas mãos erradas, e o grande mérito do filme tenho certeza de ser do autor do livro Stephen Chbosky ao não entregar o roteiro para nenhum outro diretor e fazer ele próprio com suas mãos e mais ainda com seus sentimentos que teve ao escrever o livro. Isso é completamente notável, pois existem pontos chaves na tela que qualquer pessoa que já tenha visto milhares de filmes do gênero sabe que qualquer diretor removeria diversas cenas notáveis que incrementam o sentimento do protagonista no filme deixando aparecer ao invés de apenas ficar no imaginário do espectador/leitor. Claro que esse mérito todo ele dividiu ao entregar a bomba completa na mão de três atores que até então só haviam recebido críticas negativas em seus filmes anteriores e soube junto com eles construir algo digno de dizer uma obra perfeita.

Como falei, não acho que os três atores falharam anteriormente, mas haviam sido muito criticados pelo que fizeram e isso acabou que só aumentava a expectativa por esse longa quando falaram da junção dos três, e como disse acabou saindo um show. Logan Lerman tem ao mesmo tempo o carisma que o personagem pede e deixa no ar todas as dúvidas e preocupações do mesmo de uma forma que do mesmo jeito que estamos alguns minutos o chamando de bobo, logo em seguida estamos torcendo para que faça algo e dê um jeito em tudo, é perfeito para o personagem e não consigo ver nenhum outro ator fácil em mente que tivesse feito melhor do que ele. Ezra Miller mal saiu de um projeto difícil, o qual acabei não vendo pois também foi boicotado pela mesma distribuidora deste filme que sempre esquece o interior do país, mas soube que mesmo ele fazendo um puta personagem ainda muitos reclamaram de sua atuação, e aqui ele se redime com um personagem divertido e ao mesmo tempo muito complexo de fazer, saindo melhor do que o esperado. Emma Watson consegue expurgar sua |Hermione com honra de forma a vermos agora sim como uma atriz e não mais como uma menina que tinha apenas a astúcia para dar boas sacadas no meio de outros atores, seu personagem aqui ao mesmo tempo em que é complicado acaba saindo suave pela sua atuação. Os demais personagens, pelo menos os que têm momentos a mais de tela, até conseguem cativar algum carisma, mas como o filme foca muito nos protagonistas acabam sendo esquecidos bem rapidamente.

Por ser um longa com um roteiro bem embasado de diálogos e sentimentos, o quesito visual acaba sendo quase apagado e o que temos em cena acaba sendo até simples se compararmos com outros filmes, mas essa simplicidade aqui até tem um bom efeito para que não tirássemos os olhos do que realmente vale a pena ver que é a forma de vida desses adolescentes, seus problemas e diálogos. Alguns pontos chaves são usados mais pela fotografia como a neve e as cores fortes sempre contrastando para dar clima ao filme e isso é de um agrado maravilhoso, ficando faltando apenas uma chuva para que o longa se completasse nos sentidos do clima.

A trilha sonora repleta de ótimas músicas antigas é outro ponto que chama bem a atenção do filme e como já falei algumas vezes, ela é bem usada como linguagem visual, visto que os protagonistas e até os coadjuvantes fazem mixagem em fitas K7, uma coisa que fiz muito no meu passado sombrio, e acaba sendo muito interessantes suas escolhas.

Enfim, um filmaço que recomendo à todos que assistam assim que possível, quem for de Ribeirão Preto, está passando no Cinemark às terças/quintas 19:40, e quem não for assim que sair em DVD já que estreou faz 135 dias e deve estar praticamente na boca das locadoras, vejam e reflitam sobre como tão belo um filme triste (muitos se segurarão para não chorar), já que ele até tenta nos transmitir uma certa alegria mas por dentro ficamos meio em choque como algumas coisas podem acontecer, pode ser tão bom. Fico por aqui nessa semana cinematográfica, e volto na sexta com mais filmes por aqui. Abraços e até mais pessoal.

PS: Poderia até dar uma nota maior, mas como a distribuidora Paris Filmes amarrou o filme apenas para capitais, é completamente diferente você ver um filme depois da estréia por já ter ouvido falarem mil coisas sobre ele, então irei tirar 1 coelho da nota.


4 comentários:

Fran Luiz disse...

Parabéns pelo blog, Fernando. Desde que o descobri sempre acesso para acompanhar suas opiniões sobre filmes. Com relação ao filme é simplesmente lindo. Eu e minha esposa não contemos as lágrimas em diversas passagens. Recomendado.

Fernando Coelho disse...

Obrigado Fran, que bom que gosta do blog, fico bem feliz quando vejo que o blog serve para ajudar outras pessoas. Procuro sempre fazer expressando realmente o que sinto para que vejam, às vezes até, minha raiva por alguns motivos. Quanto ao filme a única coisa que me deu mais tristeza do que a beleza dele, é não ter vivido minha juventude dessa forma, adoraria poder ter sido igual eles. Abraços!

Galodoido disse...

Melhor filme do ano! Esse filme tem alguma coisa de diferente. Ele faz ativar sentimentos que não sabemos explicar. Igual ao "Exorcista", que tem uma atmosfera arrepiante mesmo depois de anos. Mas no caso deste filme, para um sentimento belo.

Fernando Coelho disse...

Assino embaixo Galodoido... muito show mesmo o filme, uma verdadeira mistura de sentimentos. Abraços!

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